segunda-feira, 6 de Dezembro de 2010
Retalhistas preparam-se para o aumento do crime durante o período natalício
Durante o período natalício prevê-se que os retalhistas europeus registem um aumento das quebras, com os shoplifters a prepararem-se para furtar produtos no valor de 5.4 mil milhões de euros, segundo o relatório “Shoplifting for Christmas 2010”. Trata-se de um estudo independente conduzido pelo Centre for Retail Research, entidade inglesa responsável pela elaboração do Barómetro Global do Furto no Retalho, estudo patrocinado pela Checkpoint Systems, que destaca que shoplifters e colaboradores serão responsáveis por um incremento do furto em relação ao Natal de 2009 superior a 168 milhões de euros (+ 3%).
Como explica Joshua Bamfield, director do Centre for Retail Research e o autor do estudo «alguns retalhistas podem ser surpreendidas pelo aumento previsto do, crime durante o período festivo, dado que este ano, os níveis de furto no retalho a nível global diminuiu. Mas é um facto de que estamos a atravessar uma altura economicamente difícil, com os consumidores a questionarem se podem lidar com os efeitos pós recessão. Naturalmente, isto irá estimular uma subida acentuada do furto durante as próximas semanas.»
Em Portugal, e apesar do decréscimo de 1,6%, equivalente a 340 milhões de euros, durante o último ano, o estudo estima que o furto nas lojas atinja um valor superior a 68 milhões de euros, o que representa um acréscimo de 3,2% em relação ao período homólogo de 2009. Cerca de 40 milhões de euros serão resultado do furto por parte de shoplifters, mais de 23 milhões de euros serão da responsabilidade dos colaboradores e cinco milhões de euros de frauds desencadeadas ao longo da cadeia de abastecimento.
O estudo alerta para uma atenção redobrada por parte dos retalhistas, pois ao contrário do que é habitual com um maior número de mulheres a praticar o furto nas lojas, espera-se que durante este período festivo o furto seja levado acabo pelo shoplifter sazonal que em média tem 25 anos e é do sexo masculino. Pelo que, certamente mais de metade de todos os furtos no retalho, nesta fase de compras, irão provavelmente ser realizados por homens. Os shoplifters femininos, apesar de tudo, têm tendência a furtar bens de valores mais elevados, sendo que quantia média furtada por incidente irá rondar os 103,25 euros.
Mas não é apenas o cidadão comum que vai cometer estes crimes. Os empregados irão também ser responsáveis pelo desvio de alguns milhões de euros de mercadoria durante o período de festas. Cerca de 1.7 mil milhões de euros serão perdidos com o furto de produtos, assim como com transacções fraudulentas efectuadas por empregados. Com um grande número de trabalhadores sazonais a trabalharem nas lojas, nos armazéns, em centros de distribuição e no back-office do retalho virtual, os gestores das lojas devem estar cientes do aumento do potencial de furto durante este período.
O grupo de risco é composto por shoplifters profissionais e semi-profissionais, assim como gangs que furtam para revenda ou delinquentes que furtam para consumo próprio.
Rafael Alegre, VP & GM Europe Customer Management da Checkpoint Systems e especialista em segurança e merchandising, explica que: «Alguns dos artigos mais caros e mais populares têm uma grande procura no Natal e o preço de revenda conseguido pode ser muito mais elevado nesta fase, do que em outra altura do ano. No entanto, não se trata apenas de venda de bens. Frequentemente, as pessoas furtam os produtos de que necessitam para as suas celebrações em família, nomeadamente produtos típicos da época, para evitar ter de pagar o preço superior cobrado durante este período festivo.»
“E não é difícil perceber porque é que são bem sucedidos. O Natal é um período de compras extremamente agitado o que facilita o furto. Às vezes, também não há tempo suficiente para treinar as equipas de funcionários sazonais, o que significa que durante as épocas mais atarefadas os shoplifters podem ser bem sucedidos usando tácticas, que os empregados permanentes conhecem e estão preparados para os evitar».
Bebidas alcoólicas, vestuário e acessórios de senhora, perfumes, produtos de beleza, DVD’s, iPod’s, jogos electrónicos, lógios e alimentos típicos do Natal estão entre os produtos com maior índice de furto nesta época.
Rafael Alegre conclui que os «retalhistas precisam realmente de estar em estado de alerta contra o furto nas suas lojas no período do Natal. Foi feito um grande trabalho durante o ano passado, no que diz respeito à redução da taxa do furto no retalho, pelo que seria negativo ver todo esse esforço desperdiçado neste período festivo. É necessário proteger devidamente os produtos, considerando que alguns dispositivos anti-furto podem mesmo ser aplicados no produtor de forma a evitar que os funcionários tenham que aplicar estas etiquetas na loja.»