terça-feira, 18 de Outubro de 2011
Com uma subida de 6,6% em relação a 2010, a taxa de perdas atinge os 88.878 milhões de euros em todo o mundo
A taxa de perda desconhecida aumentou devido ao aumento dos furtos, a fraude s por p arte dos funcionários e ao crime organizado no retalho.
Furto custa às famílias europeias 150 €
Os acessórios de moda, o vestuário, os cosméticos/perfumes e produtos de beleza e alguns alimentos como o queijo e os produtos cárnicos são os que apresentam maiores níveis de quebra
Portugal regista este ano um total de 372 milhões de euros em perdas (equivalente a 1,33% das vendas totais do retalho), apresentando um crescimento de 7,3% face a 2010. O crime no retalho custa, em média, a cada família portuguesa 107,44 € extras nas suas compras.
Lisboa, 18 de Outubro 2011 –O furto em lojas, a fraude proveniente de fornecedores ou de funcionários, o crime organizado e os erros administrativos custaram ao retalho 88.878 milhões de euros, em 2011, totalizando 1,45% das vendas. Esta taxa de perdas global representa um aumento de 6,6% face ao ano passado, sendo que a Europa foi a região que registou uma maior subida do índice de variação de perdas, com um crescimento de 7,8%.Segundo o Barómetro Global do Furto no Retalho é a taxa mais alta registada pelo estudo desde 2007.
O estudo, patrocinado pela Checkpoint Systems, Inc. (NYSE: CKP), monitorizou o custo das perdas (furto externo e interno e erros administrativos) no retalho global, entre Julho de 2010 e Junho de 2011. Constatou-se que as perdas aumentaram em todas as regiões estudadas (América do Norte, América Latina, Médio Oriente/África, Ásia/pacífico e Europa). Os furtos efectuados pelos clientes, incluindo o furto por impulso e o crime organizado no retalho, cresceram 13,4%, tendo sido a principal causa na maioria dos países pelas perdas. Para os retalhistas, representam um custo de 38.434 milhões de euros, representando 43,2% das perdas totais. Os empregados foram responsáveis por 31.080 milhões de euros, ou seja, 35% das perdas globais.
Na Europa a tendência mantém-se, com a maioria dos retalhistas a afirmar que os clientes são a principal fonte da perda desconhecida, ao serem responsáveis por 17.299 milhões de euros das perdas (47,7% do total). Já o furto interno (praticado pelos empregados) representa 30,2% das perdas totais. No entanto, na Europa o valor médio furtado por incidente pelos funcionários (1.381,40€) é maior do que a média furtada pelos clientes (93,85€).
"Embora existam comentadores que vêem o crime no retalho como inofensivo ou um fenómeno social intrigante ou simplesmente como um custo próprio do negócio, isto ignora o impacto das quadrilhas criminosas, crescentes, os níveis de violência contra funcionários e clientes, e as ligações entre o crime no retalho e as drogas, fraude e extorsão ", adianta o Professor Joshua Bamfield, Director do Centre for Retail Research e autor do estudo. "Além disso, o crime no retalho tem um custo médio para as famílias, dos 43 países analisados, de 149 euros extra na conta das compras, acima dos 139 euros do ano passado. Na Europa, esse valor atinge os 150 euros. "
Correlação entre o investimento em segurança e o furto
O estudo de 2011 revela que os retalhistas, a nível global, aumentaram os gastos em prevenção da perda e segurança em 5,6% relativamente a 2010, para 21.120 milhões de euros. Contudo, deste investimento a quota de aquisição de sistemas anti-furto da perda, na realidade diminuiu ligeiramente. Esta pode ter sido a razão que levou à diminuição do número de ladrões detidos a novel global.
"Dos 50 maiores retalhistas globais que responderam ao estudo, os que reportaram uma diminuição das perdas em relação ao ano anterior, não interpretaram a prevenção das perdas apenas como uma questão de furto, mas trabalharam nas suas operações para combater sistematicamente o furto externo e interno, as perdas provenientes dos fornecedores e os erros administrativos. 96% das lojas destes retalhistas utilizaram programas de auditoria para monitorizar o uso de políticas de prevenção da perda e, sobretudo, aumentaram os gastos com a prevenção da perda, para quase o dobro da média global,' acrescentou o Professor Bamfield.
De facto, existe uma grande correlação entre a redução dos investimentos em soluções de prevenção da perda e o aumento efectivo da quebra no retalho, o que evidencia a importância da melhoria e do avanço continuado dos programas de prevenção da perda, na redução do furto e o seu reflexo no sucesso e crescimento dos negócios dos retalhistas. Proteger devidamente os artigos, através de medidas integradas que contemplem um conjunto de soluções de protecção eficientes, e permitir ao consumidor um maior contacto com o produto, através do livre-serviço, possibilita a diminuição dos custos derivados de furtos e um aumento das vendas.
As taxas de perda no retalho global
Os países que verificam a maior taxa de perdas são a Índia (2,38% das vendas do retalho), a Rússia (1,74%) e Marrocos (1,72%).
As menores taxas de perdas foram registadas em Taiwan (0,91%), Hong Kong SAR (0,95%) e Japão e Áustria (ambos com1,04%). A taxa de perdas na Europa fixa-se em 1,39%, o equivalente a 36.281 milhões de euros do total das vendas.
Perda desconhecida por mercado vertical
As perdas variam de acordo com o tipo de negócio, área de actividade e país. Em 2011, algumas das taxas médias de perdas mais altas foram encontradas no sector do vestuário e moda / acessórios (1,87%), seguida pelo dos cosméticos / perfume / saúde & beleza / farmácia (1,79%). Entre os ítems com maiores perdas está o queijo (3,09%). As perdas nos ítems de saúde & beleza como eyeliner e eye shadow aumentaram 30% para uma taxa de 2,14% das vendas totais e as perdas no vestuário subiram 15,3% para uma taxa de 2,94%. Enquanto isso, as perdas de calçado cresceram 1% para uma taxa de 0,99%.
"Como o crescimento económico global estagnou no ano passado, os retalhistas não aumentaram as despesas em sistemas anti-furto ao mesmo ritmo com que o fizeram com o resto das suas despesas ao nível da prevenção das perdas", afirma Farrokh Abadi, Presidente da Shrink Management Solutions, da Checkpoint Systems. ``O resultado, infelizmente, pode ser visto no aumento considerável que se verificou nas perdas. Na realidade, como o Professor Bamfield explicou, os retalhistas que tiveram um maior sucesso foram os que combateram as perdas, desde o ano passado, através do investimento eficaz em soluções abrangentes de prevenção das perdas.''
Quebras em Portugal sobem 7,3%
Ao contrário do que vem acontecendo desde 2004, em que se verificou um ciclo descendente do índice das quebras, Portugal regista este ano um total de 372 milhões de euros em perdas (equivalente a 1,33% das vendas totais do retalho), apresentando um crescimento de 7,3% face a 2010. Apesar da subida da taxa de perda desconhecida, mantém-se abaixo da média europeia que atinge 1,39% das vendas do retalho.
«O crescimento da perda desconhecida verificado em Portugal vai ao encontro das expectativas que apontavam um possível aumento das quebras, resultado da crise económica que Portugal atravessa. O crime no retalho custa, em média, a cada família portuguesa 107,44 € extras nas suas compras», refere Iván Baquero, director comercial para Portugal e Espanha da Checkpoint Systems.
O furto por parte dos clientes, incluindo pequenos furtos e furto organizado, continua a ser a principal causa da perda desconhecida em Portugal, com uma ligeira subida, ao atingir um índice de 48,9%. Em segundo lugar surge o furto interno, proveniente dos empregados que representa uma taxa de 28,4%. Por último, os fornecedores representam 6,5% e os erros internos 16,2% da causa das perdas.
Em Portugal, os custos de crime no retalho atingiram os 410 milhões de euros, dos quais 312 milhões de euros correspondem a crimes por furto e 98 milhões de euros ao investimento efectuado em soluções anti-furto.
Com a actual situação económica vivida em Portugal e com o orçamento de estado aprovado são estimadas alterações nos comportamentos de consumo, sobretudo com reflexo na diminuição do poder de compra, o que tende a provocar o aumento do furto nas lojas. A par desta situação, os retalhistas deparam-se com um tipo de furto mais sofisticado, tanto ao nível do furto por impulso como ao crescente fenómeno de crime organizado.
O ESTUDO
Iniciado em 2001 na Europa e expandido globalmente em 2007, o Global Retail Theft Barometer (GRTB) é uma pesquisa anual conduzida pelo Centre for Retail Research (Centro de Pesquisa do Negócio a Retalho), sediado em Nottingham, Reino Unido, e patrocinado pela empresa Checkpoint Systems. Este estudo é, neste momento, a pesquisa mais abrangente sobre o crime no retalho em todo o mundo.
O estudo analisa os factores e as tendências da perda desconhecida e do furto no retalho em 43 países e regiões mundiais, incluindo EUA, China, Índia, Europa; Japão, Austrália, Rússia e, pela primeira vez, a Coreia do Sul. O estudo abrangeu 1.187 dos maiores retalhistas (que representam mais de 250.000 pontos de venda), com vendas combinadas de 736.285 milhões de euros. Este ano, o estudo foi lançado, pela 1ª vez, na versão portuguesa.
Sobre o Centre for Retail Research
A 5ª edição do Global Retail Theft Barometer (11ª edição europeia) foi produzida pelo professor Joshua Bamfield, director do Centre for Retail Research (www.retailresearch.org) com a cooperação da Checkpoint Systems, Inc. O CRR é uma organização independente que fornece pesquisa e consultadoria no sector retalhista, procurando dar conta das mudanças operadas no mercado, focalizando-se nas fraudes e crimes de que é alvo. Tem conduzido extensos estudos acerca dos custos do crime e da aplicação de sistemas electrónicos e computorizados para o combate aos roubos e fraudes em lojas em muitos pontos do globo.