terça-feira, 10 de Novembro de 2009

Estudo mostra que os furtos no retalho atingem em todo o mundo 84.165 milhões de euros

• A recessão e o fraco investimento na prevenção da perda conduzem ao maior crescimento da perda desconhecida desde o início do estudo
• O valor médio da perda global aumenta cerca de 6% atingindo 1,43% das vendas a retalho
• O prejuízo resultante dos furtos equivale a um valor médio superior a 152€ por família
• Os roubos em roupas e acessórios de moda atingiram 3,85% das vendas, enquanto o furto de carne em supermercados alcançou os 3,38%
• Em época de recessão, Portugal surge com um dos melhores desempenhos, não se verificando um aumento da perda comparativamente ao ano anterior

Lisboa, 12 de Novembro de 2009 – De acordo com a terceira edição do Global Retail Theft Barometer, o nível do furto global no mercado retalhista atingiu quase 84.165 milhões de euros em 2009, o que corresponde a um aumento significativo de 5,9% relativamente ao registado no último ano.
O estudo baseou-se na monitorização dos custos do crime e da perda desconhecida na indústria a retalho global, entre Julho de 2008 e Junho de 2009, e permitiu concluir que o crescimento das perdas ocorreu em todas as regiões estudadas, tendo os maiores aumentos sido registados na América do Norte (+8,1%), países africanos do Médio Oriente (+7,5%) e Europa (+4,7%).
Portugal aparece numa posição de destaque na análise comparativa com os restantes países, ao manter a taxa de perda desconhecida em 1,26%, atingida em 2008, o equivalente a 344 milhões de euros das vendas totais. Para além da estabilidade, a taxa portuguesa mantém-se inferior à da média europeia (1,33%) e da média global de 1,43%. Os retalhistas portugueses vêem assim compensado o seu esforço no que se refere aos investimentos efectuados em soluções integradas de prevenção da perda, através da implementação de sistemas inovadores.
«Os comerciantes acham que um terço dos roubos praticados em lojas deve-se à recessão», observou o Professor Joshua Bamfield, Director do Centre for Retail Research e autor deste estudo. «Muitos também registaram alterações nos tipos de ofensor e de produtos furtados.»
«Apesar de a maioria dos negócios ter sofrido com a recessão económica, poucos foram tão afectados como a indústria a retalho,» disse Rob van der Merwe, CEO da Checkpoint Systems, Inc., patrocinador do estudo. «Enquanto os retalhistas tiveram de reduzir os orçamentos na maioria das áreas, o estudo feito este ano revela o efeito adverso da excessiva redução das despesas na área da prevenção da perda. Gastar com prudência nesta área pode ter um efeito positivo nos custos e nos lucros, e ter um efeito multiplicador, especialmente quando os orçamentos para formação e pessoal de segurança são reduzidos.»
«O estudo de 2009 revelou ainda que os retalhistas reduziram os gastos com a prevenção da perda e a segurança em cerca de 681,7 milhões de euros, sem dúvida em resultado da necessidade de ajustar os orçamentos aos tempos difíceis», acrescentou o Professor Bamfield, «Contudo, a correlação entre a redução de 681,7 milhões de euros em segurança e o aumento de 7.330 milhões de euros nas perdas por furtos é bastante significativa. Isto evidencia a importância da melhoria e avanço continuado dos programas de prevenção da perda, na redução do furto e o seu reflexo no sucesso e crescimento dos negócios dos retalhistas».
Os gastos com a prevenção da perda em 2009 correspondem a uma média de 0,31% das vendas a retalho.

TAXAS GLOBAIS DE PERDA DESCONHECIDA NO RETALHO

Comparativamente ao estudo do último ano, as perdas dos retalhistas no período de 12 meses que terminou em Junho de 2009 cresceu em 38 dos 41 países analisados. A percentagem da perda desconhecida relativamente às vendas a retalho aumentou 5,9% este ano, atingindo uma média global de 1,43%. Isto representa um desvio relativamente aos dois anos anteriores, nos quais a percentagem da perda desconhecida nas vendas a retalho tinha diminuído.
Enquanto a América do Norte e a Europa perfazem 40% e 38,4%, respectivamente, da perda desconhecida global, as taxas mais elevadas por país foram encontradas na Índia, Marrocos e México e a mais baixa em Hong Kong, Taiwan e Áustria. Portugal encontra-se na 5ª posição dos países com a taxa mais baixa. «Apesar de alguns comentadores considerarem o crime do negócio retalhista um fenómeno social inofensivo ou intrigante ou, simplesmente, o “preço de fazer negócios”, esta interpretação ignora o prejuízo que esse tipo de crime causa ao público em geral tendo, em 2009, representado para os 553 milhões de famílias dos 41 países estudados um custo extra de 152€ na factura das suas compras», disse o Professor Bamfield.

PERDA DESCONHECIDA NOS MERCADOS VERTICAIS GLOBAIS

A perda desconhecida varia de acordo com o tipo de negócio, mercado vertical e país. Em 2009, algumas das taxas mais elevadas de perda desconhecida foram detectadas nos sectores do vestuário e acessórios de moda (1,84%) ou na cosmética, perfumes, produtos de beleza e farmácia (1,77%).
No vestuário e moda, as perdas mais elevadas foram observadas nos acessórios (3,85%) e no vestuário por medida (3,64%). Este conjunto de produtos sofreu a maior perda desconhecida, entre todas as regiões analisadas (América Latina e do Norte, Europa, Ásia-Pacífico e África-Médio Oriente).
No que respeita aos produtos alimentares /mercearias, a maior perda foi observada na carne fresca com 3,38%, o que corresponde a duas vezes e meia mais do que a taxa de perda desconhecida global de 1,36% para produtos alimentares. Produtos de luxo como as carnes cozinhadas também atingiram uma taxa de perda elevada: 2,72%.

CUSTO GLOBAL DO CRIME NO RETALHO

Na edição de 2009 deste estudo, o custo global do crime do negócio a retalho (o encargo que o crime impõe aos retalhistas) foi de 88.360 milhões de euros, incluindo os custos com a prevenção da perda. Este valor corresponde às perdas dos furtos em lojas (40,5%), roubos praticados pelos empregados (33,8%), perdas na cadeia de abastecimento (5,3%) e custos com a prevenção da perda (20,3%).
Ao mesmo tempo que a perda desconhecida aumenta, os gastos com a segurança diminuem quase por todo o lado. Nos mercados mais maduros, como os da América do Norte e Europa, os gastos com a prevenção da perda tendem a ser mais elevados do que nos mercados emergentes. Na América do Norte, os gastos com a prevenção da perda representaram 0,40% das vendas a retalho, uma queda de 594,5 milhões de euros desde 2008. Na Europa, os retalhistas gastaram um valor equivalente a 0,29% das vendas comparativamente com os 0,34% gastos em 2008.
Na América Latina, os gastos com a prevenção da perda correspondem a 0,18% das vendas, uma redução de 24.189 milhões de euros. Na Ásia-Pacífico a média de gastos com a segurança foi de 0,17% e em África-Médio Oriente foi de 0,20% contra uma média global de 0,31% de vendas a retalho. «É interessante notar que os gastos com os sistemas de segurança e equipamento caíram num montante muito mais elevado do que o dispendido com outsourcing de pessoal de segurança», comentou Bamfield. «Uma vez que uma combinação de várias medidas de segurança é mais eficaz, há vantagens claras para aumentar a efectividade do pessoal, pondo em prática uma solução de gestão da perda abrangente e processos de prevenção da perda bem estruturados».
Em Portugal, os custos de crime no retalho atingiram os 376 milhões de euros, dos quais 286 milhões de euros correspondem a crimes por furto e 90 milhões de euros ao investimento efectuado em sistemas de protecção.

MERCADORIA ROUBADA

Os furtos em mercadoria atingiram um valor total de 47.188 milhões de euros em 2009. O valor das mercadorias roubadas por empregados e shoplifters representam 72% do total da perda desconhecida. A maior parte da mercadoria foi roubada por “clientes”, responsáveis por um prejuízo de 35.817 milhões de euros em bens furtados. É aqui que a prevenção pode ter o seu maior impacto, detendo os ladrões antes do acto consumado e permitindo recuperar a mercadoria.
Relativamente a Portugal, o furto por parte dos clientes, incluindo pequenos furtos e furto organizado, foi a principal causa da perda desconhecida em Portugal dos países, ao atingir uma taxa de 48,7% (167,5 milhões de euros). Em segundo lugar surge o furto proveniente dos empregados que chega aos 94,6 milhões de euros, o que representa uma taxa de 27,5%. Por último, os fornecedores com 6,8% (23,4 milhões de euros) e os erros internos que valem 58,5 milhões de euros (17,0%).

IMPACTO DA RECESSÃO ECONÓMICA

«Há uma evidência criminal segundo a qual o crime aumenta quando o desemprego aumenta e há indícios de que o crime é agora um tema muito mais importante para os retalhistas do que era há 2 ou 3 anos atrás,» disse o professor Bamfield.
«Alguns dos ofensores podem ter sérias dificuldades. Pessoas cujo rendimento familiar baixou devido a desemprego ou work-sharing, podem achar que precisam de roubar para manter o nível de vida anterior. O falhanço do sistema financeiro e da classe política em muitos países desiludiu muitas pessoas, que podem sentir que têm que olhar para os seus próprios interesses – mesmo que ilegalmente – porque mais ninguém o pode fazer,» continuou Bamfield.
O estudo mostra que a perda desconhecida e as ofensas aumentaram ao longo do último ano e que os retalhistas atribuem à recessão um terço do crescimento dos furtos em lojas e um pouco mais de um quinto do aumento nos furtos praticados por empregados. «Parece que o padrão do crime se alterou. Isto é capaz de corresponder mais à realidade no caso dos furtos por clientes do que por empregados, dado que os empregados estão mais interessados em manter os seus postos numa conjuntura em que há poucos empregos disponíveis,» disse Bamfield.

AS MERCADORIAS MAIS VULNERÁVEIS

Os ladrões tendem a concentrar-se nos artigos pequenos, fáceis de ocultar, caros e de marca muito apelativos e fáceis de vender: jogos electrónicos/Wii, DVDs/entretenimento, iPods/leitores de MP3, roupa, cosméticos/cremes/perfumes, bebidas alcoólicas, carne fresca, produtos alimentares dispendiosos, são os mais referenciados na lista das mercadorias mais vulneráveis. Outros dos produtos mais roubados são artigos de barbear, telemóveis e óculos.

DETENÇÃO DE LADRÕES

O número de ladrões de lojas e empregados que roubam, interceptados pelos retalhistas atingiu em 2009 os 5,8 milhões – a população de muitos países – e aumentou 500.000 comparativamente ao ano anterior. Este crescimento pode estar relacionado com o aumento do crime em geral. Dos detidos, 85,6% eram clientes, enquanto 14,4% eram empregados.
A média do valor das mercadorias roubadas ou que os shoplifters admitiram ter furtado foi de 165,58 euros (319,76 euros na América do Norte). A média dos roubos praticados por empregados na América do Norte foi de 1.375,30 euros na América do Norte e de 1.858,39 euros na Europa.

PREVENÇÃO DA PERDA E INOVAÇÃO

«A recessão torna a prevenção da perda mais difícil, mas mais importante,» disse Per Levin, Presidente, de Soluções de Gestão da Perda, da Checkpoint Systems. «Apesar de 5,8 milhões de roubos terem sido evitados e cerca de 4.398 milhões de euros em mercadoria roubada recuperados em 2009, isso não foi suficiente para impedir que as perdas disparassem. Mas ainda há ganhos disponíveis. Por exemplo, 28% dos produtos mais atraentes para os ladrões continuam desprotegidos. Vimos que a indústria sofreu inovações significativas e que há hoje soluções novas e eficazes, desde as estratégias abrangentes de protecção dos produtos a sistemas de gestão da perda state-of-the-art. Quando conjugados de forma holística podem ajudar os retalhistas a proteger os seus negócios e a prepararem-se para o crescimento com lucros».
«Com numerosos estudos que apoiam a conclusão segundo a qual investir e concentrar-se na Prevenção da Perda diminui a quebra no negócio, esperamos que este Global Retail Theft Barometer (Barómetro Global dos Furtos no Mercado Retalhista) faculte os dados de que os retalhistas precisam para justificar os seus esforços na prevenção,» concluiu o Professor Bamfield.


O ESTUDO

Iniciado em 2001, o Global Retail Theft Barometer (GRTB) é uma pesquisa anual conduzida pelo Centre for Retail Research (Centro de Pesquisa do Negócio a Retalho), sediado em Nottingham, Reino Unido e patrocinado pela empresa Checkpoint Systems. Este estudo é, neste momento, a pesquisa mais abrangente sobre o crime no comércio a retalho em todo o mundo. O estudo abrangeu 1.069 empresas com uma participação total de 603.112 milhões de euros. Responderam ao inquérito 201 empresas da América do Norte (vendas combinadas de 213.889 milhões de euros), 567 na Europa (331.316 milhões de euros em vendas), 196 oriundas da Ásia-Pacífico (43.247 milhões de euros), 67 da América Latina (11.140 milhões de euros) e 38 da África-Médio Oriente (2 932 milhões de euros).
Os novos países a integrarem o estudo este ano foram a China (Shanghai, Beijing, Guangdong e Hong Kong SAR), Marrocos, Taiwan e Turquia.


Sobre o Centre for Retail Research
A terceira edição do Global Retail Theft Barometer (nona edição europeia) foi produzida pelo professor Joshua Bambield, director do Centre for Retail Research (
www.retailresearch.org ) com a cooperação da Checkpoint Systems, Inc. O CRR é uma organização independente que fornece pesquisa e consultadoria no sector retalhista procurando dar conta das mudanças operadas no mercado, focalizando-se nas fraudes e crimes de que é alvo. Tem conduzido extensos estudos acerca dos custos do crime e da aplicação de sistemas electrónicos e computorizados para o combate aos roubos e fraudes em lojas em muitos pontos do globo.

Sobre a Checkpoint Systems, Inc.
A Checkpoint Systems, Inc. é líder mundial em gestão da perda, visibilidade das mercadorias e soluções para etiquetagem de vestuário. A Checkpoint permite aos retalhistas e seus fornecedores reduzirem a perda desconhecida, melhorarem a capacidade de armazenamento e a alavancagem em tempo real para adquirir excelência operacional. As soluções de Checkpoint são sustentadas por 40 anos de conhecimento em tecnologia RF, vários modelos de gestão da perda, um vasto portfolio de soluções de etiquetagem de vestuário, aplicações de RFID líderes no mercado, soluções inovadoras para os grandes furtos e uma plataforma de gestão de dados baseada na Internet, Check-Net. Em resultado deste facto, os clientes da Checkpoint registam crescimento dos seus lucros e vendas, pela implementação de cadeias de abastecimento cada vez mais eficientes, facilitando a impressão de etiquetas sempre que necessário e disponibilizando um ambiente seguro de mercado aberto, tornando tornando mais gratificante a experiência de compra do consumidor. Listada na NYSE (NYSE: CKP), a Checkpoint opera em todos os grandes mercados geográficos e emprega 3.900 pessoas em todo o mundo.
Para mais informações, visite o site www.checkpointsystems.com.

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